Ambev lança cervejas de sabor caipira, impulsiona o desenvolvimento local e ganha prêmio global

Por [1] Rogerio Ruschel http://www.invinoviajas.blogspot.com

A maior cervejaria do mundo lança cervejas de mandioca e caju produzidas por 10.000 agricultores familiares em cinco estados brasileiros, impulsionando o desenvolvimento local. Ambev mostra que é possível ganhar dinheiro com produtos simples, da terra.

Meu caro amigo ou amiga: pequenos produtos de pequenos produtores – como bananinha, paçoquinha, doce de batata, bordados, cerâmicas etc – podem ser importantes aliados em projetos de desenvolvimento local de base sustentável e empresas gigantes globalizados estão demonstrando isso, como a Ambev com cervejas como a popularíssima mandioca!

 A mandioca (Manihot esculenta) é uma planta nativa da America do Sul, a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois do arroz e do milho. Muito simpática e popular, ela sempre foi cultivada por indígenas que tem diferentes lendas sobre sua origem; o folcorista Câmara Cascudo registra algumas delas e acredita que o nome mandioca vem de um mito da nação tupi sobre a Mani + oca, significando “casa de Mani”.

A espécie “mansa” da mandioca alimenta mais de meio bilhão de pessoas no continente sulamericano e no Brasil tem vários nomes regionais como macaxeira, aipim, castelinha, uaipi, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre… Pois foi nesta planta que a Ambev foi buscar matéria-prima para fazer uma cerveja artesanal, de base local, com sabor exclusivo, para enfrentar a guerra das cervejas. Aliás, como você deve lembrar, antigamente a guerra das cervejas era entre a “Número 1” e a “cerveja para quem veio aqui pra beber e não pra conversar” – lembra? Pois agora é entre produtos globais, industrializados e pausterizados, e cervejas artesanais, locais, com sabores diferenciados.

A Ambev é a principal fabricante de cerveja do Brasil – e sua matriz, a Inbev, é a maior do mundo.Cada brasileiro consume em média seis litros de ceva por mês, o que nos dá o troféu de ser o terceiro país que mais consome cerveja no mundo, atrás da China e Estados Unidos. A Skol é a marca mais vendida, seguida pela Brahma e Antarctica, todas as três marcas da Ambev que tem cêrca de 100 marcas em diferentes categorias. E agora passou a ter cervejas com identidade territorial. Sou suspeito para falar porque sou gaúcho, mas creio que a Cerveja Polar, criada no Rio Grande do Sul em 1929, e desde 1972 controlada pela Ambev, pode ser considerada com identidade territorial por causa da linguagem gauchesca que ela utiliza. Já escrevi sobre isso, clique aqui https://wpconseld.com.br/invinoviajas/2018/04/conheca-a-polar/

Pois para completar o portfólio – e também para enfrentar o crescimento das cervejass artesanais – a Ambev investiu no desenvolvimento de cervejas de aipim, criando quatro rótulos de bebidas regionais: Magnífica, do Maranhão; Nossa, de Pernambuco; Legítima, do Ceará; e Esmera, de Goiás. Além do aipim, o caju também entrou na mira da Ambev e fez o quinto rótulo regional: a Berrió – do Piauí.

O projeto comprovou que as lavouras de cada região podem ser valorizadas e ao contrário da agricultura de exportação – o agribusiness – na agricultura familiar e no extrativismo os agricultores podem cultivar ingredientes nativos de sua região, permitindo a criação de novos produtos com origem e identidade local, como para estas cervejas. Aliás, estas cinco marcas de cervejas serão vendidas apenas nas regiões de produção.

Pois é: cervejas com aipim e caju – patrimônios territoriais e ancestrais – estão modernizando o sabor das cervejas da Ambev. E seguindo a trilha das cervejas artesanais, geram emprego e renda para pequenos produtores.

Isso não foi por acaso, a Ambev não é o único gigante global que está de olho na mega tendência de apostar nos produtos locais para promover o desenviolvimento local, mesmo sendo grandes players globais. A Sadia – maior produtor de proteina de frangos do mundo – lançou em 2019 o Bio, da Série Origens, o primeiro frango com nome e endereço do Brasil.

A Três Corações, talvez o maior produtor brasileiro e um dos gigantes da exportação de cafés, está investindo em produtos bem pequeninos, com a marca Rituais Cafés Especiais, uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial.

O Pão de Açúcar, o maior varejista da America Latina, investe na comercialização de produtos pequenos e desconhecidos como a pimenta Jiquitaia, produzida por cerca de 80 mulheres da tribo Baniwa, da Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas. E também vende em algumas lojas o tucupi preto, a farinha de baru, pequenos queijos regionais, geléias de frutas amazônica e outros produtos territoriais minúsculos, produzidos por agricultura familiar, extrativistas ou grupos comunitários, que representam menos de 0,00000001 % da oferta do supermercado. E estes produtos impulsionam o desenvolvimento local.

A Ambev acaba de ser premiada no World Changing Ideas Awards, concedido pela Fast Company, publicação americana com foco em tecnologia, negócios e design, na categoria Pandemic Response 2021, por promover a produção de cervejas com ingredientes cultivados por cerca de 10 mil moradores de baixa renda de cinco estados brasileiros, ajudando a reduzir a desigualdade social [2].

Um dos ingredientes é muito popular na culinária brasileira por ser um alimento de fácil cultivo e baixo custo: o aipim ou a mandioca, dependendo da região do Brasil. Após inúmeros testes, a Ambev, em parceria com a Questtonó, consultoria de inovação e design, viabilizou a produção da bebida incluindo esse ingrediente em sua formulação. O aipim ganhou, portanto, uma nova dimensão alimentar ao ser introduzido na fabricação das cervejas.

A partir daí, foram criados quatro rótulos de bebidas regionais: Magnífica, no Maranhão, Nossa, em Pernambuco, Legítima, no Ceará e Esmera, em Goiás. Além do aipim, outro alimento típico do Brasil, o caju, entrou na mira da Ambev e, assim, nasceu o quinto rótulo regional: a Berrió, do Piauí.

Para manter o ritmo de produção adequado, a empresa criou uma rede com cerca de 10 mil moradores de baixa renda desses estados para assegurar o cultivo dos ingredientes e, de quebra, conseguiu movimentar a economia local, contribuindo com a redução da desigualdade social.

E foi justamente esse indicador social que premiou a companhia na categoria Pandemic Response 2021 do World Changing Ideas Awards. O projeto comprovou que as lavouras de cada região podem – e devem – ser valorizadas. Diferente dos modelos tradicionais das corporações, os agricultores têm a oportunidade de cultivar os ingredientes nativos de sua região, que vão dar origem a novos sabores de cervejas, verdadeiros símbolos culturais.

Importante ressaltar que todas as cervejas são produzidas e comercializadas apenas em seus respectivos estados, criando raízes e gerando identidade com o público.

Portal Mesa de Bar [2] parabeniza a companhia pela iniciativa e deseja que o projeto continue, frutifique e gere desdobramentos futuros pelo bem dessas comunidades e do mercado cervejeiro nacional.


[1] Rogerio Ruschel é jornalista, professor e autor do livro “O valor global do produto local” e editor do blogue In Vino Viajas https://www.invinoviajas.com/ e do WebCanal Tesouros no Fundo do Quintal https://www.youtube.com/channel/UCc4c2FU6Z88_XU_2I2lFbmA

[2] https://mesadebar.com.br/ambev-e-premiada-por-incentivar-a-agricultura-regional/

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