PROJETOS NO TURISMO: PRIORIZAÇÃO E GESTÃO

Eduardo Henrique Ferin da Cunha [1]

Há mais de 15 anos venho trabalhando com turismo; ora, no desenvolvimento de municípios, ora no agenciamento de viagens. E tenho percebido, sobretudo, para que haja uma perfeita sincronização entre a oferta de turismo e a demanda, é necessário o investimento em projetos que atrairão os turistas para a localidade, promovendo assim o desenvolvimento de vários setores da economia, sejam eles ligados ao trade turístico como por exemplo os meios de hospedagem, agências receptivas, restaurantes, entre outros, como também das demais economias que indiretamente suprem as necessidades desse segmento econômico.

O primeiro passo para um município se desenvolver no turismo é PLANEJAMENTO. Sem um bom plano de trabalho e claro, vontade pública (quando digo, vontade pública, quero dizer interesse do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil).

Em artigo anterior “Plano Diretor de Turismo”, Jorge Duarte discorre sobre uma metodologia muito interessante que envolve: a formação de uma governança local para o turismo, a elaboração de um diagnóstico do cenário turístico do município (atrativos e demanda), formulação de diretrizes e a criação de indicadores para o Plano Diretor de Turismo.

Após a elaboração desse documento final, o planejamento não pode parar…. Na verdade, é a partir disso que tudo começa! É hora de priorizar quais projetos entrarão em pauta de discussão e execução, quais projetos devem ser gerenciados e como será feita essa gestão.

O mais importante: definir uma metodologia de priorização e gestão e ter um acompanhamento contínuo de profissionais especializados, que além do conhecimento técnico, tenham uma boa percepção do mercado turístico e das potencialidades, capacidades e condições de investimento que o município já possui, ou que tenha força para atrair ao longo do processo.

Vamos discutir sobretudo esses dois aspectos ao longo desse artigo.

COMO PRIORIZAR PROJETOS: UMA METODOLOGIA

Dando um ponto de partida na metodologia, observe esse esquema gráfico

A etapa inicial de todo trabalho, a qual chamamos de Etapa 0 (zero) é o levantamento de todos os atrativos e pesquisa de demanda do município, destacando sua importância, seu estado de conservação, relevância de visitação e atratividade para turistas!

Seguindo adiante, na etapa 1 são definidos um conjunto de projetos a serem trabalhados ao longo de um período. Podemos considerar um período de 10 (dez) anos, porém, obviamente, o Plano Diretor de Turismo, bem como seus projetos devem ser revisados a cada 2 (dois) anos.

Esse conjunto de projetos deve ser alocado em períodos: curto prazo (de um a dois anos de execução), médio prazo (de três a cinco anos de execução) e longo prazo (de cinco a dez anos de execução).

Essa classificação não significa que os projetos de curto prazo têm que ser priorizados. Muitas vezes alguns projetos de médio e longo prazo tem que ser colocados em pauta, para chegar a uma situação desejável no período definido.

Vamos a exemplos:

Projeto de Curto Prazo: Elaboração de um Roteiro Turístico no município

Projeto de Médio Prazo: Implantar Sinalização Turística no município

Projeto de Longo Prazo: Captar investidores para novos atrativos turísticos no município

Há projetos que podem iniciar imediatamente e já terem resultados preliminares, inclusive gerando impacto no turismo local, e há também projetos que podem ser iniciados para colher no futuro os benefícios de um bom planejamento.

E como decidir quais projetos serão priorizados? Um tipo de critério pode ser:

Priorizar projetos que tenham recursos disponíveis podem ser um grande fator para alavancar o desenvolvimento do turismo no município. Podem ser recursos humanos, financeiros ou até mesmo recursos materiais.

Há projetos que já estão em andamento ou têm possibilidade de se mobilizar pessoas para fazê-los acontecer. Esses projetos podem ser priorizados.

Existem projetos que se forem executados como prioridade podem trazer mais turistas para a cidade. Esses projetos causam impacto positivo tanto em resultados de visitação, geração de renda na cidade e até mesmo mobilização comunitária.

Por outro lado, se algum problema no município impacta no turismo, isso pode ser priorizado. Por exemplo: cidade mal cuidada, com lixo, mato alto. Muitas vezes, esses projetos acabam se tornando-se prioridade, pois uma cidade que aparentemente está “abandonada” não é capaz de atrair turistas e se esses vierem podem encontrar um cenário que não os farão retornar e nem indicar a outras pessoas.

Assim, praticando o diálogo e em grupo (Governança) decide-se quais projetos podem ser priorizados!

METODOLOGIA DE GESTÃO DE PROJETOS TURÍSTICOS

Mais importante do que elencar os projetos a serem desenvolvidos, é preciso colocá-los em prática! E como fazer isso?

As etapas são:

  • Definir os atores envolvidos: analisar quais pessoas e/ou organizações poderão fazer parte da discussão do projeto: setor público, iniciativa privada, comunidade, trade turístico etc. Convidá-los para uma reunião!
  • Fazer levantamento dos recursos disponíveis: o que temos para começar? recursos humanos? materiais? financeiros? Listar os recursos e definir cronograma de realização.
  • Elaborar Plano de Ação: elaborar um plano de ação para cada projeto, definindo: o que, como, quem vai realizar, cronograma de realização, custos.
  • Monitorar os resultados preliminares do projeto: apontar os resultados quantitativos e qualitativos, bem como o avanço do processo na consecução dos objetivos do projeto.

E como tudo isso pode ser feito?

Por meio de encontros periódicos (presenciais ou virtuais) para discutir o plano e o monitoramento. Nesse momento, analisa-se qual é o status do projeto, propõe-se atualizações, novas metas e monitora-se os resultados obtidos.

Em cada encontro é importante ter a figura de um Gestor de Projetos que além de nortear o andamento do grupo, fará a medição das discussões durante o processo.  

E o que se espera com tudo isso?

Espera-se atingir os objetivos propostos pelo Plano Diretor de Turismo, fazendo com que as ações delineadas e priorizadas passem a proporcionar benefícios diretos e indiretos no turismo local.

Muitas vezes é comum elaborar o plano e deixá-lo esquecido numa gaveta. Com essa metodologia de Gestão de projetos, esses saem do papel e se transformam em realidade!

Observação: O artigo reflete a visão da empresa Desenvolvimento Local que auxilia na elaboração e implementação de projetos turísticos e na sua gestão

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Um outro ponto de vista foi escrito por “Dea Belatrão” para este site. Confira no link “Gestão de Projetos – Visão Geral”


[2] LEI COMPLEMENTAR 1261/2015 disponível em: https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei.complementar/2015/lei.complementar-1261-29.04.2015.html acesso em 10/05/2017

[3] Organização Mundial de Turismo. Anexo 10 – Sugestão de metodologia de hierarquização de atrativos turísticos. http://nute.ufsc.br/bibliotecas/upload/anexo10.pdf acesso em: 25/08/2015

[4] Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil: Diretrizes Políticas. Brasília: Ministério do Turismo, 2004.


[1] Eduardo Henrique Ferin da Cunha Diretor da agência Caminhos do Turismo e idealizador do projeto Viajando com Edu. Graduado em Marketing e pós-graduado em Gestão de Marketing, Educação. Profissional e Gerenciamento de Projetos – Práticas do PMI – Project Management Institute, com extensão universitária em Gestão do Terceiro Setor e Desenvolvimento Local pela The Johns Hopkins University. Tem especialização em Turismo Sustentável, Desenvolvimento Local e Turismo Rural pelo Centro Internacional de Formação da OIT Turim. Profissional com mais de 15 anos de experiência em treinamento e gestão de projetos. Trabalhou no Senac São Carlos como docente-coordenador da área de Turismo, ministrando cursos e elaborando projetos de Desenvolvimento Turístico como: Plano Diretor de Turismo, projetos de Gastronomia, implantação de roteiros. Sócio proprietário da empresa de consultoria Desenvolvimento Local.

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